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Acir Antão

Adalto Silva
O diretor da Rede Bristrol de Hotéis em Minas, Espírito
Santo e Maranhão, Adalto Silva

 

ENFIM, O FATIAMENTO DA LAVA-JATO - Tudo está saindo como previsto na edição passada desta coluna. O Supremo Tribunal Federal (STF) organizou via o ministro Dias Toffoli, o fatiamento dos processos sob o comando do juiz Sergio Moro. Na verdade, alguns políticos estão saindo do foco do juiz, de acordo com o interesse do governo e tudo isso foi feito para blindar a senadora Gleise Hoffman, envolvida no escândalo de desvios de recursos do Ministério do Planejamento. Toffoli, ex-advogado do PT e, hoje, membro da suprema corte disse que a justiça brasileira parece estar nas mãos de um só juiz e que isso é impensável. Agora o processo vai sair das mãos do ministro Teori Zavascki e vai para o próprio Toffoli. Dos 11 ministros da corte, apenas três não foram nomeados por Lula e Dilma.

 

ARREPENDIMENTO – Depois que o escândalo do Mensalão veio à tona, o principal operador do sistema, Marcos Valério,  se recusou a delatar os responsáveis pela tamanha ilegalidade e preservou não só o presidente Lula, mas também o ex-ministro José Dirceu, com a promessa que livrariam a cara dele e dos publicitários de Minas. O resultado foi uma pena de mais de 40 anos para Marcos Valério e penas baixíssimas para os outros réus. Todos políticos, muitos dos quais estão em casa gozando da liberdade enquanto o publicitário e seus companheiros tiveram penas altíssimas.  Valério tem confessado a amigos que está arrependido de ter escolhido o advogado com quem gastou todas suas reservas financeiras.

 

IMPOSTOS – Ser da bancada do governo tem suas vantagens e desvantagens. Muitos deputados foram obrigados a votar favoravelmente ao governador Pimentel, que mandou para Assembleia  um projeto propondo aumentar impostos dos mineiros. Se votar contra, os parlamentares deixam de atender à sua base político-partidária. A história se repete sempre. Deputados que antes eram da oposição e que votavam contra tudo, agora, como base do governo, votam de acordo com o Palácio.

 

DA COCHEIRA

 

A casa do empresário João Dias, o rei da feijoada, vai estar em festa neste próximo final de semana. É que sua mulher e nossa querida amiga Vera Lizardo Dias, faz aniversário. Viva a Dona Vera! A primeira dama do rei da feijoada.

 

Previsão de um meteorologista a esse colunista: “Se não chover o esperado para o final de ano e início de 2016, não sabemos o que vai acontecer em Minas”. O profissional do tempo, disse que nunca assistiu a uma situação como a que Minas vem enfrentando nos últimos tempos, principalmente na região metropolitana.

 

E é verdade. O Rio das Velhas, principal fornecedor de água para a região metropolitana, está no “osso” como diz a população ribeirinha. Eu mesmo pude constatar isso ao ver o rio em Raposos.

 

Centenário de Orlando Silva - O prefeito de Sabará, Diógenes Fantini, determinou que se comemorasse o centenário de um dos maiores cantores do Brasil, o inesquecível Orlando Silva. O espetáculo será neste próximo dia 09, a partir das 21h.

 

O goleiro Fábio, do Cruzeiro, recebeu a visita de algumas crianças da Legião da Boa Vontade (LBV) na Toca da Raposa. Os pequenos foram ao CT para homenagear o craque pela passagem de seu aniversário. “Valeu! Muito obrigado pelo carinho! ” – disse Fábio após ouvir uma mensagem de felicitação. das crianças,

 

 

ANIVERSÁRIOS

 

Domingo, dia 04 de outubro

Dia de São Francisco de Assis

Jornalista Aloísio de Moraes

ex-prefeito de Juiz de Fora - Tarcísio Delgado

 

segunda-feira, dia 05

Jornalista Afonso de Sousa

Empresário Wagner Moura

Aniversário de casamento de Waismann e Dona Elda – Conselheiro Pena

Empresário Roberto Cardoso

 

Terça-feira, dia 06

Coronel Klinger Sobreira de Almeida

Srª. Glícia Chaves Moura – mulher do Wagner Moura

Radialista Rubem Dorna

Ex-presidente da ACM - Empresário Charles Lofft

José Alberto da Silva – Assembleia Legislativa

 

Quarta-feira, dia 07

Fernando Paz

Sheila Mares Guia

 

Quinta-feira, dia 08

Radialista Dilson de Abreu

Jornalista Washington Melo

Kid Moreira

José Arnaldo Canarinho

Vereador Arnaldo de Oliveira – Contagem

Jornalista Eduardo Simbalista

Maria Luiza Russo

 

Sexta-feira, dia 09

Prefeito de Sabará - Diógenes Fantini

Dom Sebastião Roque

Gabriel Vieira

 

Sábado, dia 10 de outubro

Marcos Magalhães Pinto

Publicitário Almir Sales

Srª. Vera Lizardo Dias

 

A todos, os  nossos parabéns!

Acir Antão

Zaire
O ex-deputado Zaire Resende, Roberto Gontijo e
o empresário Fabiano Lopes
(Foto: Valdez Maranhão)

 

 

JOSÉ DIRCEU- Desde o Mensalão, o ex-ministro José Dirceu tem sido alvo de denúncias de que ele agiu não só no governo como ministro da Casa Civil, mas também como consultor, nome que  arranjaram  para ele, na função de lobista, mesmo depois de ser expurgado do Ministério. Se investigarem, a Polícia Federal vai encontrar passos do ex-ministro a favor da Delta, construtora envolvida nos escândalos do bicheiro Cachoeira, que o presidente Lula inclusive estimulou a criação da CPI para pegar o ex-senador Demóstenes Torres. Na época, ele chegou a ser cassado por se envolver com o bicheiro, afinal o ex-senador era uma das vozes da oposição ao PT naquele momento. Só que o ex-presidente Lula não imaginava que o seu ex-ministro também estaria envolvido até o pescoço com a Delta. Resultado: a CPI praticamente acabou sem que os envolvidos fossem denunciados. Depois que perdeu o seu poderio político, o ex-ministro se tornou um lobista e não só isso, chantageou o próprio PT para lhe arranjar dinheiro para sua manutenção, tudo através da sua empresa, o que legalizava dinheiro das construtoras.

 

SUSPENSAS CIRURGIAS DE CLIENTES DO INTERIOR - A decisão foi da Prefeitura de Belo Horizonte, pois ela aceita as chamadas cirurgias eletivas para atender o pessoal do interior, que não têm hospitais nas proximidades de suas cidades e elas precisam ser realizadas na capital pelo SUS que é administrado pela PBH. A situação é muito difícil, pois tem pacientes que ficam anos a espera de uma cirurgia, já que é preciso que haja um entendimento entre o SUS da cidade do interior com o SUS de BH.

 

ESTARDALHAÇO – A presidente Dilma foi aos Estados Unidos, jantou com o presidente Obama e se reuniu com empresários, tentando vender o Brasil. Mas ao que parece a única coisa que ela conseguiu foi diminuir as exigências para que brasileiros viajem sempre aos EUA e não precisem se submeter ao rigor do serviço de imigração.

 

PROGRAMA APRENDIZ LEGAL - O Centro de Integração Empresa Escola (CIEE) e a Fundação Roberto Marinho (FRM)  inauguraram no dia 2 de julho uma unidade voltada exclusivamente ao Programa Aprendiz Legal no estado (Rua dos Otoni, 274, no bairro Santa Efigência). O programa realiza o cadastramento e o encaminha jovens aos programas de aprendizagem, além de oferecer cursos de capacitação teórica com uma equipe de instrutores treinados. Em Minas, o programa já começa com 500 aprendizes já inseridos em empresas e no Brasil são quase 70 mil inscritos. Outras informações sobre o programa pelo (11) 3040-6526.

 

DA COCHEIRA

 

Lula foi a Brasília negociar com Renan Calheiros e Eduardo Cunha, sem a presença do vice Michel Temer. Dizem que o ex andou falando mal de Dilma.

 

O tarifaço da conta de energia elétrica não está correspondendo as expectativas do governador Fernando Pimentel que esperava um aumento da arrecadação do ICMS. Na verdade, a arrecadação está é diminuindo, no momento em que foi assinado um acordo para aumentar o salário dos professores estaduais.

 

Josué Valadão pode ser o nome guardado a sete chaves pelo prefeito Marcio Lacerda para disputar a sua sucessão pelo PSB. Marcio acha viável lançar o seu secretário, tomando como exemplo seu próprio caso que foi candidato lançado por Aécio sem que o eleitor o conhecesse.

 

O governador Fernando Pimentel está conseguindo por a mão em quase R$ 6 bilhões, depositados na justiça por conta de pagamento de precatórios. Segundo o Palácio Tiradentes, o governador vai pedir emprestado o dinheiro.

 

ANIVERSÁRIOS

 

Domingo, dia 05 de julho

Maria da Conceição Rocha

Terezinha Biondini

Heliane Hernandez – Rádio Itatiaia

 

Segunda-feira, dia 06

Dr. Emerson de Almeida – presidente do Conselho da Fundação Dom Cabral

Jornalista Geraldo Elísio – (Pica-Pau)

Maria Laura Carneiro

 

Terça-feira, dia 07

Dr. Bernardo Vaz de Melo

Delegado Fidelcino Marcondes Pedrosa

Jornalista Gisa Campos

 

Quarta-feira, dia 08

Jornalista Ricardo Camargos

Embaixador Paulo Tarso Flecha de Lima

Repórter Camila Dias – Rádio Itatiaia

Luiz Lobo

 

Quinta-feira, dia 9

Jornalista Déa Januzzi

Deputado Carlos Gomes

José Novais Neto

 

Sexta-feira, dia 10

Ex-ministro Alisson Paulinelli

Jornalista Eloíza Aline de Oliveira

 

Sábado, dia 11 de julho

Jornalista Jurandir Perciquini

Jandir Filareti – Contagem

Pedro Emanuel Carneiro

 

A todos, os nossos parabéns! 

 

Mensalão nunca mais

*José Maria Trindade

 

A mesma água nunca passa duas vezes por baixo da mesma ponte. A frase de Heráclito mostra que tudo flui ou tudo está em movimento. Em política esta também é a verdade, como na história um fato só se repete se na segunda vez for uma farsa. Por este destino mutante da política, traduzido de forma singela por Magalhães Pinto de que é “como as nuvens, você olha está de um jeito e olha de novo já mudou”, as “coisas” mudam para ficar como estão.  O mensalão será repetido aqui e ali, mas julgamento no Supremo Tribunal Federal como foi o mensalão do PT, nunca mais.

Nem a ponte nem a água serão as mesmas. O presidente do Supremo, ministro Joaquim Barbosa, foi o relator do julgamento da ação 470 e de pulso firme evitou qualquer possibilidade de saída pela tangente. Constrangeu ministros e chamou o Supremo à realidade e a briga por espaço na opinião pública. O processo está encerrado e lições devem ser aprendidas, mas não serão usadas pelos advogados por que julgamento como este não acontece mais. O Supremo já adotou uma nova jurisprudência. A partir de agora julgamento no Supremo só para os detentores de prerrogativas especiais, os de foro privilegiados.

Outros processos que já estão aqui na Corte já foram desmembrados, como o caso do ex-ministro Fernando Pimentel, que saiu do Supremo e voltou para a Justiça Federal de Minas Gerais. O processo contra o ex-governador Eduardo Azeredo volta para Minas com a renúncia dele aqui na Câmara dos Deputados. A decisão será tomada nos próximos dias pelo próprio Supremo Tribunal Federal que rejeitou pedido parecido no início do julgamento do mensalão.

Como o movimento dos astros é previsível e o movimento dos poderosos é sempre imprevisível, segundo Galileu Galilei, o objetivo é a manutenção dos preceitos e do poder. O Supremo já tem outro plenário, outra maioria e jurisprudências. O movimento já aconteceu e como tudo flui, o plenário já tem nova maioria que dificilmente condenaria os integrantes deste grupo que não foi condenado por quadrilha e o dinheiro desapareceu, já que não foi lavado, ou “branqueado” no termo usado juridicamente. A boa notícia é que não acontecerá um novo mensalão.  Um mensalão como este envolvendo publicidade, agências e distribuição de dinheiro para políticos na compra de votos no Congresso.

O processo não foi em vão. Deixou legados e ensinamentos. Chamou a atenção para o Supremo e equilibrou aqui a Praça dos Três Poderes, onde ficam os palácios do Planalto, do Congresso e da Justiça. Conversando com o ministro Joaquim Barbosa, ele mostrou que o espanto com este tipo de processo não faz sentido. Apontou para a Constituição de 88, provando que a Justiça ganhou espaços novos e a independência. Disse-me o ministro, que eu olhasse os municípios para descobrir o que faz a Justiça. Olhei e concordei que o juiz nos pequenos municípios toma mesmo conta do seu espaço e até avança.

Se o julgamento foi inédito no Brasil pela prisão de poderosos, mostrou que é preciso reforma para tirar esta exigência de fazer dinheiro para campanha eleitoral. A reforma política está no Congresso e não anda. Por outro lado mostrou que o foro privilegiado não é mais tão privilegiado assim, já que o Supremo pode condenar e sem a possibilidade de nova apelação. O legado maior do julgamento do mensalão foi mesmo à alma lavada do brasileiro comum, acostumado a ver presos apenas os que não têm dinheiro para advogados, os famosos ladrões de galinha. Os ladrões de casaca nunca foram para a cadeia e desta vez estão presos. Agora o presidente e relator, Joaquim Barbosa, fica pouco tempo na corte. Este pode ser o último ano dele como presidente e como ministro. A candidatura de Joaquim à presidência da República é totalmente descartada. É, mas como política é como nuvens né?!

 

*Jornalista, correspondente da Rede Jovem Pan e comentarista da Rede Vida de Televisão. Faz a cobertura diária da política em Brasília

 

 

Isso que é competência

*Mário Ribeiro

 

Na chegada ao Instituto Médico Legal de Belo Horizonte para fazer exame de corpo delito antes de seguir para prisão em Brasília, o “operador” do Mensalão, Marcos Valério, disse raivoso, para o guarda que, com o braço em seu ombro, indicava o caminho correto para onde ele deveria ir: “Bela incompetência, incompetência total”. A que incompetência ele se referia? À do guarda que o dirigiu ao caminho certo? À da Polícia Federal, que tomou iniciativa de levá-lo a exame de corpo delito e evitar que ele fizesse posterior acusação de maus tratos? Incompetência da Justiça, que demorou, mas finalmente conseguiu condená-lo pelo maior escândalo de corrupção que se conhece no Brasil?

 

Incompetente Marcos Valério nunca foi

Sua trajetória tem sido marcada por muita competência. Trabalhou no Bemge, ex-banco do Governo de Minas (eram três bancos oficiais, todos extintos) e se saiu bem. Depois, já com fama de competente “operador” de esquemas financeiros desde sua cidade natal, Curvelo, na região central de Minas, Marcos Valério aceitou convite para dar um jeito na SMPB, agência de publicidade que se encontrava em estado pré-falimentar já havia bom tempo e que dava “tombos e canos” a veículos, fornecedores e bancos. Em sua competência ímpar, articulou eficiente sistema de enrolação da monstruosa dívida da agência, através de empréstimos nem sempre quitados e aprontando expedientes para conquista de contas, principalmente públicas.

 

Deu-se então o milagre da transformação

De repente, Marcos Valério Fernandes de Souza passou a ser conhecido como publicitário. Gostou tanto da atividade, que adquiriu CGCs de outras agências em oportuna conveniência para obtenção de mais empréstimos e realizar novos “expedientes”. A agência-mãe ultrapassou os limites do estado e foi pousar em Brasília. Pegou conta até da Câmara dos Deputados já na ascensão petista. Ninguém segurava o novel “publicitário”, aquele que arrebentava com o que ainda restava de princípios no mercado.

 

Era eficiência demais

Virou dono do centro de equitação de Belo Horizonte e promovia eventos que reuniam a nata da sociedade, com farta distribuição de salgadinhos chiques e doses caprichadas de autêntico uísque escocês de 20 anos. Criador de cavalos, adquiriu fazenda e montou escritório chiquérrimo na região da Savassi, em Belo Horizonte, onde “operava” seus negócios, com foco principal em Brasília. Deu no que deu: no Mensalão, com a compra deslavada de parlamentares através, segundo os autos do julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, de desenfreada lavagem de dinheiro público por dutos instalados nas agências do novo “publicitário”.

De acordo com a opinião de profissionais da área, apresentar-se como publicitário em Belo Horizonte virou motivo de chacota. Ninguém mais passou a respeitar publicitários na cidade, nomeando-os com qualificações difamantes, a ponto de alguns preferirem se apresentar em seus cartões de visitas como profissionais de marketing e comunicação, como se isso resolvesse.

Ele e os envolvidos na história vergonhosa do Mensalão são tão competentes que não se cansam de dizer que tudo não passa de história da carochinha, que todos são inocentes, pessoas probas, que se enriqueceram a custa de trabalho e talento. O inacreditável é que ainda tem gente que acredita nisso. Pura competência, competência total. Sujeito danado de competente esse tal de Marcos Valério Fernandes de Souza. Está na  cadeia, mas virou famoso “publicitário”, até sem as aspas.

 

 Jornalista e publicitário

 

“Quousque tandem, Brasil?”

*Mário Ribeiro

 

O saber jurídico do Ministro Celso de Mello é realmente espantoso.

Mas precisava ele promover tamanho e inusitado espetáculo com discurso que lembrou obras monumentais como as pirâmides egípcias totalmente fora do contexto do que a Nação merecia ouvir?

À opinião pública, tão diversa em seus sentimentos e aspirações, restou a decepção de que o decano do STF obrou peça fantasticamente técnica e prenhe de sabor jurídico com o miserável fim de reverenciar os principais réus do processo do mensalão na adoção dos embargos infringentes.

A parte da sociedade civil que se desespera a cada passo petralha para implantar o chamado socialismo do 3º Milênio (o novo/velho comunismo), abateu-se de vez com o voto do eminente jurisconsulto.

Precisava daquilo? Foi um sofrimento suportar duas horas de exibição de um vocabulário arrevezado, um vai-e-vem de capítulos de leis, emendas e sentenças jurídicas que mais parecia longa dissertação sobre um ego inflado a proclamar:

“Eu sou o máximo”.

E ficamos todos com “cara de tacho”, segurando para não soltar palavrões horrorosos por haver, no fundo, um sentimento de que o Ministro apenas queria fazer valer sua sabedoria jurídica sem se importar com as consequências nocivas de seu voto.

Veio a raiva, que pouco altera a situação, e a seguir a constatação da dura realidade: o país está encalabrado diante do destino e de perspectivas que nos deixam tristes, sofridos, inconformados e toda tralha de adjetivos para retratar nosso desânimo quanto ao futuro.

Até quando suportaremos? “Quousque tandem, Catilina?” diria Cícero para o chato do Catilina no Senado Romano.

Mais grave: não adianta dizer “Quousque tandem, João Santana, abutere patientia nostra?” para que o marketeiro “nosso” Goebbels pare de soltar factóides em profusão e confundir a massa, sustentar a aprovação da presidente nas pesquisas e levá-la à reeleição.

Nada é possível fazer para frear o avanço firme rumo a um futuro inglório de um país atolado na corrupção, na ignorância, na esperteza de políticos e suas bobagens inomináveis, ofensivas e deletérias com o objetivo único de deixar o país em escuridão semelhante à da Idade Média.

Falta-nos força para impedir tão ingrato destino.

A oposição, se é que existe, não sabe como atacar e nem deter a marcha dessa gente irracional, raivosa, agressiva, que ri da gente desaforadamente, com escárnio. Não adianta nos envergonharmos diante da insanidade de ir à ONU peitar os EUA sob alegação de espionagem à Petrobrás e, no outro dia, se deliciar com as belezas do MoMA como se não restringisse sua cultura às lições de Gramsci e Stalin.

Sua postura na ONU foi outra sacada do ex e co-presidente, como fez ao pagar a dívida ao FMI e promover um Carnaval fora de época para, em contrapartida, estourar todos os limites da dívida interna.

Aliás, Luíz Inácio é mais Goebbels que João Santana. Mais satânico e mais engenhoso, graças à sua cátedra sindicalista que lhe ensinou as artimanhas da oratória da dissimulação, do embuste e da dominação da massa ignara às ordens do macróbio Fidel na sua paranóia de ver sua ideologia e do Foro de S. Paulo dominar a América Latina de cabo a rabo.

“Quousque tandem, Lula?” Até que todos se esqueçam de tudo que você já aprontou? Até que todos se esqueçam de Rosemary e seus demônios?

“Quousque tandem, Brasil?”

“Até nunca mais”- parece soprar o vento da desilusão e desânimo de uma pátria que já foi gentil, alegre e criativa.

É isso aí: até nunca mais, Brasil!

 

* Jornalista e publicitário

O legado do Mensalão

*José Maria Trindade

Todo fato histórico deixa reflexos para as futuras gerações. Qual terá sido o legado do julgamento do mensalão? Nenhum para a atividade política. Mudanças sérias de conceitos para os julgadores nas instâncias inferiores. Credibilidade para o Judiciário e respaldo para a imprensa.

A opinião pública abraçou o julgamento e acompanhou tudo como quem torce pela decadência da Carminha, a da novela. Uma mudança de impressão está no ar. Só no ar. Os outros políticos estão livres e fazendo os movimentos de financiamento de campanha eleitoral, já que a máquina não pode parar. É a roda do infortúnio. O deputado, senador, vereador e gestores como governadores e prefeitos roubam para se reeleger, se reelegem para roubar para se reeleger. É um círculo frustrante até a que a Justiça o pegue. É uma compulsão, como é a droga.

Os jornais internacionais publicaram que o mensalão pode inviabilizar o capital político do ex-presidente Lula. Improvável, já que Lula foi requerido para a eleição, transferiu votos importantes em São Paulo e levou o candidato do PT, Nelson Pelegrino, para o segundo turno em Salvador. Não foi atingido na prática.

É histórico. O Brasil convive muito bem com denunciados de longas carreiras políticas. Até condenados, como Paulo Maluf que é político com símbolo na testa de desconfiança. O verbo “Malufar”, foi criado aqui para indicar ações desonestas. Mesmo procurado pela Interpol, condenado e já claro que tinha o dinheiro no exterior que ele dizia que não tinha, Paulo Salim Maluf foi eleito e ainda é deputado federal e dos mais votados por São Paulo. Mas não é só, José Sarney é presidente do Congresso, Fernando Collor de Melo é senador por Alagoas, três dos 25 condenados no mensalão são deputados e350 dos 513 deputados e 91 senadores respondem processos na Justiça.

Mas o grande legado do julgamento do mensalão será mesmo para a própria Justiça. Os juízes acompanharam o debate e terão como lema a partir de agora que o direito de condenar em casos de corruptos aumentou e muito. A dúvida neste caso beneficia o Estado. As provas nem são tão necessárias assim quando “as evidências gritam” no processo, segundo a ministra Rosa Weber.  A tese do “domínio do fato” está definitivamente implantadono nosso meio jurídico. É a decisão de que como chefe ou comandante, o réu poderá ser condenado mesmo sem ter assinado documento ou que tenha provas contra ele no processo.

A partir de agora o debate sobre formação de quadrilha, provas contra chefes protegidos por assessores condenados e comandantes de “malfeitos” terão interpretação diferente pelos juízes. Neste caso o mensalão valeu e o julgamento com as condenações deixam a mensagem clara de que roubar o dinheiro público ficou mais perigoso.

Mas como este legado chegará na prática, se os deputados e senadores fazem de conta que não existiu. Falta uma reforma política discutindo seriamente o financiamento de campanha eleitoral. Definição de um novo arcabouço legal para facilitar os julgamentos e tirar de vez este véu da impunidade que encobre o poder. Apostaram errados os deputados que usaram o foro privilegiado do Supremo.

Descobriram coma condenação que a velha demora injusta da Justiça está perdendo a batalha. Não seria de se estranhar que agora os deputados votem uma emenda para acabar com o fórum privilegiado, depois do naufrágio do barco dos que tentaram fugir do mensalão. Naufragou, levando deputados e participantes.

 José Maria Trindade – Jornalista e
diretor da Jovem Pan de Brasília

Acir Antão

ELSON de Barros Gomes Jr,  Cônsul  da Índia,
 governador Antonio Anastasia e conhecido
advogado Vicente Amorim, em recente
acontecimento em BH.

 

BMG – Pois é. A justiça tarda, mas não falha, diz o velho ditado. A cúpula do Banco BMG foi condenada por prática do crime de gestão fraudulenta, depois de uma ação que durou seis anos, quase o mesmo tempo que o Supremo Tribunal Federal levou para julgar os membros do chamado escândalo do “mensalão”.  Aqui em Minas foi um processo que correu na Justiça Federal, também relacionado com o mensalão. Ricardo Guimarães, o ex-ministro do Governo Sarney, João Batista de Abreu, que também foi secretário da Fazenda de Newton Cardoso, Márcio Alaor de Araújo e Flávio Pentagna Guimarães receberam penas de sete, seis e cinco anos de prisão. É claro que eles podem recorrer ao Superior Tribunal e até mesmo ao Supremo. Tudo isso está relacionado a empréstimos fictícios feitos pelo BMG ao PT, em troca de exclusividade por algum tempo na concessão de empréstimos consignados a aposentados do INSS. Isso colocou o BMG com a maior carteira do país, enquanto os outros bancos só puderam fazer o mesmo depois de certo período. O Banco negociou a exclusividade e poderia, por exemplo, ter se encarregado de fazer doações de remédios a pessoas necessitadas ou outros tipos de filantropia. Mas a negociata envolveu o partido do governo, no caso o PT.

PENAS – Não se sabe até agora de quanto serão as penas no julgamento do mensalão, mas de uma coisa todo mundo já sabe: Marcos Valério e a cúpula da SMP&B deverão receber as maiores penas. Eles foram condenados em tudo. É pra não sair nunca mais da cadeia!

 

SUCESSÃO – A presidente Dilma já mandou furar o balão de ensaio inflado pelo prefeito Eduardo Paes, do Rio de Janeiro, que resolveu lançar o nome de Sérgio Cabral, como candidato do PMDB a vice na chapa de reeleição de Dilma. A presidente, que tem gênio difícil e não poupa ninguém de suas broncas, não gostou da ideia e já devolveu um torpedo ao prefeito do Rio. Só para a avaliação dos peemedebistas, Dilma já mandou avisar que se disputar a reeleição, Michel Temer continuará seu vice. Ela passou a ter irrestrita confiança nele.

 

CPI – A Comissão Parlamentar de Inquérito que investigou Carlos Cachoeira vai chegar ao fim sabendo que ele movimentou mais de R$ 84 bilhões nos últimos 10 anos. Mas a comissão vai acabar em pizza e apenas serviu de ensaio para que o ex-presidente Lula tentasse demover alguns ministros do Supremo a adiar o julgamento do mensalão, o que não conseguiu. Quando se descobriu que o maior lobista da construtora Delta –envolvida nos escândalos do Sr. Cachoeira – era José Dirceu, que conseguiu arranjar obras para ela em todo o Brasil, inclusive em Belo Horizonte, ela foi praticamente desativada.  

 

DA COCHEIRA

O senador Aécio Neves já marcou data para ir a Contagem com o objetivo de ajudar a campanha de Carlin Moura nesse segundo turno. Ele disputa a prefeitura com Durval Ângelo.

 

Em São Paulo, Dilma irá fazer campanha para Fernando Haddad, mas adiou sua presença no comício que iria acontecer na última sexta-feira. Foi o final da novela Avenida Brasil, da TV Globo.

 

Algumas pessoas já estão notando que o ritmo das obras na cidade diminuiu após as eleições que reelegeram o prefeito Marcio Lacerda.

 

O narrador esportivo da Itatiaia, Mário Henrique, mais conhecido como “Caixa”, já mandou fazer um terno novo para tomar posse como deputado na Assembleia no próximo ano, com a eleição quase certa de Carlin Moura em Contagem. Mário Henrique é o primeiro suplente do PCdoB naquela Casa Legislativa.

 

O mural feito por Yara Tupinambá, que está há mais de 40 anos na Assembleia, ficou escondido entre gabinetes por longo tempo. Agora, foi reinaugurado na Galeria de Artes da Casa, no último dia 16.

 

ANIVERSÁRIOS

Domingo, dia 21 de outubro

Ex-deputado Paulo Heslander

Jornalista Janete Dias Ribeiro

Engenheira Soraia Simão Melgaço

Delegado João Batista Moreira

Delegado Oto Teixeira Filho

 

Segunda-feira, dia 22

Zé de Paiva

Major Silvio Antonio Leite

Rolando Boldrin

 

Terça-feira, dia 23

Dr. José Reinaldo Mol

Léa Fátima de Oliveira – Capim Branco

Advogado Délcio Mitri

Jornalista Maria Helena, esposa de Carlos Felipe

Dr. Francisco Goiás

 

Quarta-feira, dia 24

Luiz Carlos Braga, Superintendente do Mercado Central

Ramom Rodrigues Rocha – Caracóis

 

Quinta-feira, dia 25

Delegado Federal Sérgio Antonio de Oliveira

Beatriz Urbano Hadad

 

Sexta-feira, dia 26

Jornalista Eduardo Costa – Rádio Itatiaia

Cantor Milton Nascimento

Cantor Belchior

Edimil Pacheco

 

Sábado, dia 27

Padre Ramiro Gregório – São João Del Rey

Ex-presidente Lula

Glorinha Brant

 

A todos os nossos parabéns

Candidatíssimo


*Mário Ribeiro

Houve um tempo em que a realização de eleições significava esperança de renovação. Hoje, o quadro não é nada animador quanto ao destino de cada voto aplicado na maquininha, pois parece não existir quem represente ânimo novo ou mudança para o país. Só existe preocupação quanto ao que virá pela frente.

Por isso, é melhor pensar na eleição que ocorrerá daqui a dois anos. Ela, sim, poderá significar o final de um ciclo marcado pelo populismo e por uma insanidade ideológica que vem conduzindo o país por caminhos cada vez mais perigosos.

Através de propaganda continuada que mascara a dura realidade de graves problemas políticos e econômicos e de uma crise com sintomas endêmicos, o governo faz promessas mirabolantes e forja números em discursos fantasiosos, além de manifestações que chegam à alucinação em termos mundiais.

Exemplo disso foi a fala da presidente na abertura da Assembleia das Nações Unidas, como se não levasse em conta a conquista brasileira, através do embaixador Oswaldo Aranha quando se dispôs a fazer o primeiro discurso na recém fundada ONU. Em razão de sua iniciativa, criou-se a tradição de cada abertura anual da Assembléia ser feita pelo presidente brasileiro no exercício do cargo. Uma gentileza da entidade diante da iniciativa de Oswaldo Aranha.

Pois não é que na abertura deste ano, a presidente brasileira, como costuma tratar seus subordinados em Brasília, tentou passar uma carraspana no mundo, ditando regras que incluíram até apoio aos absurdos promovidos pelo “louco de pedra” Ahmadinejad. (Nota: o discurso não mereceu uma linha sequer do “The New York Times”).

Lá estava ela em Nova Iorque toda prosa e maquiada, com sua “entourage” de sempre, para dizer que é a seguidora do governo de Luiz Inácio, que colocou o Brasil nos píncaros da economia mundial. E o pessoal da ONU estupefato pensando que isto tivesse sido obra do Plano Real, que o PT procurou destruí-lo de forma absoluta, a ponto de atualmente o país andar sem rumo em sua economia comandada de modo tresloucado.

O pronunciamento na ONU foi como se ela já estivesse credenciada a continuar no cargo se Luiz Inácio não vier a sucumbir diante do resultado do julgamento do “mensalão” e, assim, manter o processo de permanência do PT no poder “ad eternitatem”.

Aí entra a questão a ser analisada agora em relação às eleições presidenciais de 2014, com uma pergunta: Quem estará em condições de despertar nos brasileiros um real desejo de mudança e de esperança nos novos tempos?

Objetivamente, não há outro nome que não o de Joaquim Barbosa. É urgente o país ter um presidente corajoso, sério, capaz de fazer valer as leis. Alguém com total respeito dos brasileiros. Alguém que, com determinação e personalidade, soube superar preconceitos de cor e de classe social e, por mérito, assumiu sua cadeira no principal tribunal do país. Alguém que, por ter sido nomeado por Luiz Inácio para o STF, supunha-se que não tivesse coragem, como relator do processo, de colocar o dedo na ferida, enfrentar a fúria petista e escancarar o escândalo em toda sua podridão.

Joaquim Barbosa é o novo herói nacional e, como herói, tem totais condições de impor a lei, colocar ordem e progresso no país como prega nossa bandeira e acabar com a bagunça institucional e econômica que tomou conta do Brasil.

*Jornalista e publicitário

O projeto ideológico e sua blindagem

*Mário Ribeiro

Poucos dias antes de se iniciar o julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal, o instituto “Análise” divulgou resultado de uma pesquisa que dava aprovação quase total ao governo e à presidente. Outro instituto de pesquisa chegou a apontar aprovação de cerca de 75%. O julgamento começou e as manifestações de protesto são quase nenhuma.

É de se perguntar onde estão os manifestantes que decidiram praticamente a queda, anos atrás, de Fernando Collor da presidência da República, se sinais de corrupção e de incompetência do Governo não faltam?

Oposição não existe mais, mesmo porque ninguém quer saber de ser contra um governo que sabe administrar a sua blindagem de forma eficientíssima, não importa o número de escândalos e absurdos que comete em sequência.

Se a Petrobras apresentou no último trimestre um prejuízo de R$ 1,3 bilhão é assunto que não atormenta ninguém, mesmo porque, para evitar subida maior dos índices inflacionários (em evidente ascensão faz tempo), a empresa mantém fixo o preço da gasolina e nem toca nas loucuras cometidas pelo ex-presidente da empresa, insuflado pelo ex-presidente Luiz Inácio, principalmente em relação ao pré-sal.  Quem paga o prejuízo somos nós.

Falando nele, no ex-presidente, está na muda não somente pela doença na garganta, mas em razão de tantas trapalhadas para tentar impedir o julgamento do STF. Diz que tem mais o que fazer ou, em outras palavras, articular, como fez ao aparecer aos abraços com seu inimigo histórico (e do PT), Paulo Maluf, para ganhar poucos minutos no programa eleitoral de seu protegido candidato à Prefeitura de São Paulo, o ex-ministro da Educação Fernando Haddad, que marcou sua administração por vergonhosa incompetência e por editar livros que estimulam os estudantes a falarem errado (“Nós vai pescar”) e a calcular com orelhas de burro (“três mais cinco igual a sete”).

 E nada muda

Os advogados que defendem os acusados do mensalão referem-se aos réus do escândalo como se estes fossem heróis, isentos de toda culpa, porque – segundo eles – o mensalão não existiu.

O tirano Chaves, da Venezuela, aparece na calada da noite em Brasília para a presidente incluir o país dele no Mercosul, depois de uma jogada rasteira contra o Paraguai, e anuncia que vai comprar 22 aviões da Embraer, num lance de marketing, como tudo do governo petista.

Na verdade, o dinheiro vai sair de financiamento do BNDES. Pergunta-se: quando a Venezuela irá pagar este financiamento? Certamente no Dia de São Nunca, à tarde.

Quem tem razão é o sociólogo Demétrio Magnoli, em artigo publicado no “Estadão”:

“Ao julgar o mensalão, o STF está decidindo, no fim das contas, sobre a pretensão de uma corrente política de subordinar a lei à História – ou seja, a um projeto ideológico”.

Mas nada adianta falar

Entorpecido pelo consumo que gera inadimplência e pelas bolsas que mais que tudo compram votos, o país entrega-se à ideologia do atraso e da mentira, sob os calorosos aplausos, lá do inferno, do velho Stalin, e lá de Cuba, de Fidel, o “imortal”.

Pior cego é o que não quer enxergar – como, com toda razão, diziam os mais antigos, cada vez mais desprestigiados em seus presságios que quase sempre significavam experiência e sabedoria.

 Mário Ribeiro – Jornalista e Publicitário

Sem provas concretas, réus do mensalão podem ser absolvidos

O julgamento do mensalão, que foi iniciado no último dia 02, promete ter grande repercussão nacional. O advogado criminalista e ex-membro do Conselho Penitenciário de Minas Gerais, Antônio Velloso Neto (foto), com seus 25 anos de exercício profissional, fala com exclusividade ao Edição do Brasil sobre o assunto. Ele analisa o papel dos ministros do Supremo e crê no julgamento isento e imparcial dos réus, porém defende: “Se houver dúvidas quanto às provas, os julgados devem ser absolvidos”.

 

O senhor acredita que os suspeitos serão julgados com seriedade ou tudo terminará novamente em “pizza”?

Eu acredito que o Supremo Tribunal Federal julgará os envolvidos no processo do mensalão com seriedade e imparcialidade. Vivemos em um Estado Democrático de Direito e qualquer decisão que for tomada será respeitando a Constituição Federal, com amplo direito de defesa dos acusados e a prova dos autos.

 

Estão dizendo que esse é um julgamento técnico, no entanto os envolvidos querem um julgamento político. Existe essa diferença? Qual seria?

Não vejo este julgamento como um julgamento político, mas de pessoas ligadas à política. Caso contrário a decisão seria das CPIS e não passaria pelo crivo do Judiciário. Por isso acredito que será feita justiça, com os ministros decidindo de acordo com a prova dos autos e pela consciência de cada um no firmamento de suas convicções, do seu livre convencimento.

 

O senhor acredita que os ministros estão isentos e livres o suficiente para fazer um julgamento tão emblemático quanto esse?

Os ministros são homens probos, de notável saber jurídico, isentos e preparados para exercer a judicatura. Eles foram todos sabatinados pelo Senado Federal após a indicação livre do presidente da República. São os ministros os guardiães da nossa Constituição e devem fazer com que a mesma seja cumprida na sua integralidade, impedindo desvios jurídicos que afetam o Estado de Direito, o respeito às garantias individuais e o devido processo legal. São isentos e respeitados.  São 11 e não há possibilidade de empate.

 

Esse julgamento marcará o Judiciário brasileiro? E para a política?

No meu modesto entendimento, ele se destaca apenas por ser um processo coletivo, com muitos acusados que detinham cargos na administração federal petista. Será um marco porque decidirá a culpa de mais de 35 acusados em única instância; de acusados que participavam de um governo eleito pelo povo, democraticamente, e que empunhavam uma bandeira oposta ao contido na acusação do Ministério Público Federal. Não acredito que esse processo marcará o Judiciário brasileiro, porque há inúmeros outros casos pendentes de julgamento no STF que, certamente, irão marcar muito mais, posto que envolvem milhões de interessados. A título de exemplo, pendem de análise no tribunal três recursos especiais e uma ação que definirão quem deve indenizar os poupadores (milhares) pelas diferenças de correção em cadernetas de poupança provocadas pelos sucessivos planos econômicos editados nas décadas de 1980 e 1990 no Brasil. De acordo com cálculos dos bancos, mais de 500 mil ações, entre individuais e coletivas, estão suspensas na Justiça estadual e Federal à espera da definição do STF. As estimativas de perda das instituições bancárias variam de R$ 30 bilhões a R$ 100 bilhões, caso os correntistas ganhem a causa. 

 

Qual será o futuro da imagem do STF após esse julgamento?

No Supremo nada muda, pois é apenas mais um julgamento. O Supremo não deixará que direitos sejam violados, respeitando a constituição, o devido processo legal e o direito de defesa de todos os acusados. A imparcialidade de seus membros é evidente. Não acredito que este julgamento transforme o destino do Supremo. Ele continuará a ser o guardião do Estado Democrático de Direito e da separação dos poderes.

 

Diante da possibilidade de tudo “acabar em pizza”, que análise você faz se isso acontecer?

A decisão tem que ser tomada no exame da prova dos autos e não pelo clamor público, pois na história do Direito Penal brasileiro, decisões tomadas sob o forte clima de impacto da pressão pública foram injustas e inocentes foram condenados. Na dúvida, o nosso direito faz implicar na chamada falta de prova. E na falta de prova, a absolvição deve ser editada pelo julgador. Se no decorrer da instrução do processo eles não se convencerem, persistindo a dúvida, é porque faltou a certeza da prova. E se esses elementos de convicção falharem, é porque a acusação não conseguiu provar o que alegou ao propor a ação penal. Quando o Ministério Público Federal ofertou a acusação, ele ficou de provar, fato por fato. Se não provou, restou dúvida. E na dúvida, antes a absolvição de um possível culpado que a condenação de um inocente. O juiz, ao optar pela absolvição, na dúvida, não está distribuindo favor, está fazendo justiça, pois quer dizer que na dúvida seguimos o que é mínimo. E o mínimo que posso fazer quando não tenho certeza é não condenar. E isto vai acontecer neste julgamento. E não adianta o clamor público. Os juízes não estão adstritos à berra incivilizada.

 

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