Jornal impresso continua vivo

Com o advento da internet, das mídias espontâneas e as redes sociais, que transmitem notícias fragmentadas de minuto em minuto, sobre os mais diversos assuntos, fica cada vez mais difícil para os jornais impressos darem furos e sobreviverem.

Escrito por Felipe José de Jesus em Educação e Cultura - 06/12/2012


Fernando Lacerda: “O que realmente importa é o
fazer jornalístico e a compreensão da responsabilidade social da imprensa”
(Foto: Arquivo Pessoal)

 

No entanto, mesmo com a concorrência da internet, de acordo com pesquisa da Associação Mundial de Jornais e Editores, cerca de 2,3 bilhões de pessoas em todo o mundo preferem ler o impresso, pois acreditam que as notícias são mais seguras. Já na internet, o número de leitores não passa de 1,9 bilhão. A pesquisa aponta também que, quando o assunto é anúncio, as empresas apostam primeiro no impresso.

O jornalista Fernando Lacerda, que já foi repórter do Jornal do Brasil e atualmente é professor na PUC e diretor da Lead Comunicação, faz uma análise sobre a questão e diz que muitos assuntos veiculados na web saem do impresso.

“De certa forma isso acontece. Mas nem tudo o que vai para as redes sociais tem o que podemos chamar de ‘certeza jornalística’, ou seja, não houve apuração, mas sim o passar adiante uma informação não checada ou, ainda pior, um boato. Por isso, temos de tratar com cuidado o conteúdo existente em redes sociais, separando os que têm caráter jornalístico dos que não têm. A mídia impressa serve de referência, como os próprios sites de notícia que também abastecem as redes sociais”, diz.

Questionado sobre como os jornais impressos podem se adequar a este novo tipo de leitura através de tablets e celulares, dispositivos que a cada dia estão mais acessíveis à população, Lacerda diz que as notícias devem ser objetivas.

“Muitas publicações já estão se adequando às novas maneiras de se ler um jornal. O importante é que cada mídia completa a outra. Nesse caso, por exemplo, o papel do impresso é o de aprofundar as notícias, buscando informações, abordagens exclusivas e que motivem o leitor a manusear ainda o papel. Nos outros formatos, as notícias devem ser mais curtas e objetivas, de forma que o mesmo leitor possa acessar a notícias em diferentes formatos. O importante é que cada mídia tenha respeitada a sua característica, o seu público alvo”, diz.

 

Tamanho não é a questão   

Os jornais impressos são do tamanho Standard ou Tablóide, no entanto, muitas pessoas não compram, por que não acham eles compactos para leitura na rua. Segundo Fernando, não é necessário mudar o tamanho do jornal, pois matérias breves e superficiais estão na internet.

“O futuro do jornal impresso passa necessariamente pela capacidade de se aprofundar, interpretar e analisar os assuntos. Não creio no modelo do impresso com matérias breves e superficiais, limitando-se a dar as notícias. Isso é feito em tempo real pela internet, TV e rádio. Por isso, acredito que os jornais terão que investir em reportagens aprofundadas, com recursos gráficos. Investir em viagens e contar com equipes de jornalistas com experiência e que gostem da profissão”.

 

Impresso contrariando boatos

O rumor de que o impresso pode acabar até 2014, frase dita pelos acionistas do New York Times em 2010, não se tornará realidade. Fernando diz que o impresso ainda é muito forte.

“O jornal impresso não vai acabar, pelo menos tão cedo. Defendo a tese de que as publicações têm de se ajustar à nova realidade, mudar a forma de trabalhar, mas acredito que haja espaço para todas as mídias. O mais importante é fazer bem o conteúdo jornalístico, a compreensão dessa responsabilidade social da imprensa. Por isso, acredito que ensinar para os estudantes de jornalismo a apurar corretamente e em profundidade, algo que o impresso permite, não deixará de ser importante nunca”, conclui.

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